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Ilusão ou Realidade?

T. Williams by Yousuf Karsh T. Williams by Yousuf Karsh

Depois de muito tempo pude rever a adaptação cinematográfica de “A Streetcar Named Desire”,   dirigida por Elia Kazan (1951). A peça original foi escrita pelo dramaturgo norte-americano Tennessee Williams e venceu o Prêmio Pultizer em 1947.

Segundo creio eu, essa é uma daquelas obras bem-sucedidas sobre as quais o tempo não atua.

Ouso dizer que é sempre uma novidade, já que nunca envelhece. E talvez isso aconteça porque Tennessee impregnou a narrativa de recorrentes conflitos que espelham com maestria o sustentáculo de alguns dos nossos principais requisitos de sobrevivência, tais como o desejo e o poder. Elaborados e, ao mesmo tempo, notoriamente primitivos, tais requisitos demandam uma energia brutal de cada um de nós.

A realidade nos escapa!

No afã de sobreviver a essa sociedade onde o desejo pela ilusão é cada vez maior, muitas vezes vemo-nos agir como a personagem principal da trama: Blanche DuBois, uma bela e misteriosa mulher com pretensões de virtude e cultura que, através da fantasia, busca dissimular, para si mesma e para os outros, a realidade.

Assim como a peça teatral, o filme é uma obra-prima repleta de personagens complexas, que trazem em sua essência o desejo ardente de reconciliação com a própria verdade.

28

mar
2012

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Cultura

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Cores Primitivas

Aulas de racismo

A busca pelo reconhecimento da reciprocidade entre raças é tão antiga e persistente quanto dolorosa e, volta e meia, revela-se sem rodeios. No entanto, devo admitir que são raras as vezes em que essa busca assume um vigor respeitável, capaz de purgar a hipocrisia da simpatia.

Prova disso é o documentário “Afrikaner Blood”, das holandesas Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien, que acaba de levar o primeiro prêmio do concurso World Press Photo 2012 na categoria multimídia.

São cenas revoltantes de adolescentes sul-africanos brancos durante um acampamento de verão organizado por um grupo de extrema-direita. O vídeo traz a figura de Franz Jooste, ex-major do Apartheid e líder do grupo, declarando firmemente que o camping de adestramento teria a finalidade de “criar uma nova geração de racistas”.

Pode não parecer e é assustador, mas o racismo sobrevive em segredo, na clandestinidade de um mundo arco-íris idealizado por muitos e praticado por poucos, na medida em que vivemos nessa esquizofrenia sistemática de deturpar a realidade que nos circunda, achando que tudo é rosa ou – ainda pior – colorido…

Sim, porque tanto quanto posso avaliar, mesmo com a revogação do Apartheid  em 1994, não há indicação de que o mundo tenha mudado drasticamente suas ideias em relação à segregação racial e social.

O que eu sei é que a dose de crueldade de certos comportamentos me expulsa da indiferença terapêutica do dia-a-dia; e é por isso que hoje faço questão de expressar minha repugnância categórica às palavras de Franz Jooste:

Não tenho vergonha de dizer que sou racista. Na África do Sul só é possível ser duas coisas: ou cego ou racista“.

Franz Jooste

“Afrikaner Blood” – Multimedia Contest 1st prize (2012)

26

dez
2011

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Potencial mudo



A película “O Artista”, de Michel Hazanavicius, promete ser um dos destaques da próxima edição do Globo de Ouro.

Indicado em seis categorias, a produção franco-belga, que já havia causado furor no badalado Festival de Cannes, de onde saiu com o prêmio de melhor ator para o francês Jean Dujardin, impõe-se de maneira inusitada com suas credenciais anticomerciais, já que se trata de um filme mudo e em preto e branco.

A premiação que acontece desde 1944 pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, é considerada por alguns profissionais do cinema como a mais importante para a categoria, uma vez que incorpora a opinião da crítica e não da própria indústria cinematográfica como ocorre com o Oscar.

No próximo 15 de janeiro poderemos conferir qual será o reconhecimento para este filme, completamente dissociado do padrão blockbuster ao qual estamos acostumados.


The Artist – by Michel Hazanavicius


15

dez
2011

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Espaço Vazio

Fotografia: Itaciara Poli

Sem querer ou escolher, algumas vezes sou incomodada por questões suspeitas que se apoderam do meu pequeno espaço no mundo – já tão contraditório por si só. São questões que, quando por acaso nelas tropeço, minhas possibilidades cambaleiam como átomos sem rumo…

Hoje, por exemplo, o que me assedia é a iminente descoberta do tal bóson de Higgs. Não se fala em outra coisa e, por esse motivo, somente com elevadas doses de alienação seria possível ficar indiferente ao assunto. Comenta-se em jornais e revistas de todo o planeta que tal achado representaria um divisor de águas para a humanidade, pois viria para desvendar a origem de tudo.

Não quero e, principalmente, não tenho competência para redigir observações técnicas sobre a chamada “Partícula de Deus”, mas hoje, enquanto vagueava nesse espaço vazio, nessa escuridão central da origem do universo, me deparei com uma indagação meramente filosófica: por que temos a eterna pretensão de criar um sistema de totalidade para a condição humana?

Por que não ousamos admitir a vida como algo impreciso ou inexplicável?

Seja através da religião ou da ciência, por que a interpretação para a minha e a sua vida, para a nossa história e para nossas ambições deve depender sempre de uma análise total, perfeitamente completa do início ao fim?

Daí penso que talvez seja porque hoje, mais do que nunca, estamos sedentos por uma explicação absoluta, por uma razão garantida que concilie nossas crenças, nosso conhecimento e nosso bem-estar. Ou pode ser também por que não aceitamos mais ser como nossos antepassados: pobres ignorantes a viver num maravilhoso estado de graça por nada saberem…

Mas e nós, o que sabemos?

Na verdade, se pararmos para pensar no mais importante, veremos que a nossa história tem a duração de um bater de olhos e que, na prática, de um jeito ou de outro, nós é que somos o quantum elementar do universo, pois o centro de tudo está em nós mesmos.

17

out
2011

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Salve-se quem puder

Fotografia: Itaciara Poli

Estou no escuro e começo a ficar inquieta. Há algum tempo, por entre fatos e relatos, venho tateando o progredir sinuoso de pormenores fatais que não param de distribuir desassossego e estimular o pânico entre todos nós.

Tal sensação deve-se ao fato de uma bruma escura, de ares apocalípticos, chamada “Crise Econômica Mundial”, que permanece sobre nossas cabeças e nos envolve num clima de puro medo e incerteza.

No último final de semana, jornais de todo o mundo noticiaram manifestações de uma juventude indignada, asfixiada por seus sonhos corrompidos e em tensão com o futuro, como se fosse uma marcha forçada de quem agora deve pagar por nossa anuência à corrupção, por fazermos vista grossa para a impunidade e por tolerarmos toda essa ambição desmedida.

Nesse labirinto fraudulento, o cenário é negro e o contrapeso invariável. É que, no intuito de preservar sua sobrevivência, os governantes atuam consoante às variações de conveniência e assim, de um momento a outro, podem nos assegurar que tudo está magicamente resolvido, ou pelo menos protelado.

Um descaramento implacável.

Sabemos muito bem que os mecanismos e estratégias até agora adotados, abundantes e tenazes em atenuar a porcaria explícita do sistema financeiro global, não só se demonstraram desastrados, como também serviram para aumentar a dimensão do problema.

A fragilidade do nosso presente demanda atenção e há razões sérias para nos preocuparmos.

É claro que as poucas linhas gerais deste post não fazem jus a importância e densidade do tema, mas esboçam apenas a minha apreensão em relação aos dias de hoje.

Que estranho presente é esse?

O filho de mil homens

O Filho de Mil Homens (2011)

Para começar bem o outono vou presentear minha estante com o novo romance de Valter Hugo Mãe – “O Filho de Mil Homens”.

Depois de causar grande comoção na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), o escritor lançou o seu quinto romance no dia 24 de setembro, em Lisboa, na companhia de amigos, escritores, jornalistas e de uma magnífica surpresa: a brasilidade de Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, que estavam de passagem por Portugal e não puderam deixar de prestigiar o singular talento de Valter. 

Confira a sinopse aqui.