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Furtiva

Vivo-te furtiva

habitando um teu indício

como se houvesse outras de ti.

És insígnia do medo e da ternura,

da desordem de vazios vibrantes,

fora, dentro e sempre, da loucura.

*

És o extremo da incerteza,

minha morada

que sob a luz selada

tenta-se enigma na ruptura da leveza.

*

Vivo-te furtiva

para atravessar o insensato

até tudo ser de fato

apenas um teu indício.

No céu da boca

Quando aqui dentro

é preciso perder o sopro

pra agradecer

o respirar,

 desarrumo o verbo,

desafio a palavra

e invento ares

– pra variar…

Fragmento

 

O meu sonho assim é que me quer

: apenas um espasmo!

 

Um fragmento narrativo

de poesia e circunstância

que palpita nesse morrer constante

entre o gozo e o espanto

pelo tempo em que se sustente a ficção.

 

O meu sonho assim é que me quer

: apenas um bocado de mundo

que habita o aconchego do inequívoco,

solúvel na certeza da vida que não basta.

 

E não há limites para ela…

 

Nesse tempo de existir qualquer,

por hábito ou falta de coragem,

o meu sonho assim é que me quer.

Nesse mundo que não é meu

Fosse capaz de viajar

para longe do mundo que me oferecem,

adiante dos prazeres

onde todos se recolhem

e visitar enganos que se bastam,

deixar-me-ia ficar.

.

Nesse mundo que não é meu

arrancaria palavras

ou raízes dos meus ruídos

uns e outros,

todos talvez, e

deixar-me-ia ficar.

 .

Fosse capaz de partir

inocente do perigo,

para fazer brotar da alma

dores que não dizem

a que vem,

deixar-me-ia ficar.

.

Ah, deixar-me-ia ficar

só mais um pouco,

em puro desperdício,

neste ser abstrato

dentro do qual eu verso.

O sonho é sede

Picture by Angela Kidwell Picture by Angela Kidwell

“Na palavra ‘cantil’ guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede.”

Ondjaki, escritor e poeta angolano vencedor do Prêmio José Saramago 2013.

Ilusão ou Realidade?

T. Williams by Yousuf Karsh T. Williams by Yousuf Karsh

Depois de muito tempo pude rever a adaptação cinematográfica de “A Streetcar Named Desire”,   dirigida por Elia Kazan (1951). A peça original foi escrita pelo dramaturgo norte-americano Tennessee Williams e venceu o Prêmio Pultizer em 1947.

Segundo creio eu, essa é uma daquelas obras bem-sucedidas sobre as quais o tempo não atua.

Ouso dizer que é sempre uma novidade, já que nunca envelhece. E talvez isso aconteça porque Tennessee impregnou a narrativa de recorrentes conflitos que espelham com maestria o sustentáculo de alguns dos nossos principais requisitos de sobrevivência, tais como o desejo e o poder. Elaborados e, ao mesmo tempo, notoriamente primitivos, tais requisitos demandam uma energia brutal de cada um de nós.

A realidade nos escapa!

No afã de sobreviver a essa sociedade onde o desejo pela ilusão é cada vez maior, muitas vezes vemo-nos agir como a personagem principal da trama: Blanche DuBois, uma bela e misteriosa mulher com pretensões de virtude e cultura que, através da fantasia, busca dissimular, para si mesma e para os outros, a realidade.

Assim como a peça teatral, o filme é uma obra-prima repleta de personagens complexas, que trazem em sua essência o desejo ardente de reconciliação com a própria verdade.

A certa altura

Fotografia: Itaciara Poli Fotografia: Itaciara Poli

Sobre esses dias

de paisagens acidentadas

basta um sorriso.

Venuto al mondo

A partir do próximo dia 08 já podemos conferir no grande ecrã a adaptação de mais uma obra-prima de Margaret Mazzanttini.

Venuto al mondo”, o livro vencedor do Prêmio Campiello 2009 e definido pela própria autora como uma estória que fere, trata-se, na verdade, de uma obra ambiciosa e marcante que nos convida a refletir sobre a esperança da juventude, a decadência das distâncias e, principalmente, o amor absoluto e suas guerras.

O filme, com diversas cenas ambientadas em Sarajevo, propõe-se a sustentar o mesmo impacto do romance em toda a sua crueldade e ternura e conta com uma parceria de grande sucesso, uma vez que o trio Margaret Mazzanttini (escritora), Sergio Castellitto (ator/diretor e marido de Margaret) e Penélope Cruz (atriz) já surpreendeu anteriormente com o filme “Non ti muovere” – um resultado feliz de adaptação literária para o cinema.

Faltam 02 dias!

“Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas” é o tema da 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

O terceiro maior evento editorial do mundo será realizado na capital paulista entre 9 e 19 de agosto de 2012 no pavilhão de Exposições do Anhembi, e meu livro  “Mira-olho” estará nesse importante acontecimento do universo literário.

A obra será apresentada no stand da Editora Novo Século, localizado na rua H70 – próximo ao espaço infantil. Uma ótima oportunidade de conhecer esse e muitos outros livros de qualidade, para todos os gostos e estilos de leitura.

25

jul
2012

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Literatura
Opinião

By admin

Fiel ao sonho

Picture: Brooke Shaden

O fato é que decidi aventurar-me na escrita! E não só: devo reconhecer que as coisas que leio são para mim muito mais importantes do que as que escrevo. Sim, um lúcido delírio! Simplesmente porque, como disse Jorge Luis Borges, “lemos aquilo de que gostamos – mas não escrevemos o que gostaríamos de escrever, apenas o que podemos escrever”.[1]

O leitor é pessoa mais feliz, já que a leitura é ato sublime e inconsciente em busca da satisfação.

O escritor, por sua vez, sofre de um tormento de dores indizíveis, de uma vocação patológica empenhada em encontrar certo prazer transcendental, perdido nos artifícios da invenção: a felicidade de escrever.

Por sua essência o ato de narrar torna o escritor o algoz e a vítima de si mesmo… Pois sofre de uma espécie de “doença autêntica e completa” [2] que brinca com a ideia, manipula a imaginação e, não obstante os fatos, procura seguir fiel ao sonho.



[1] BORGES, Jorge Luis. “Este Ofício de Poeta ”. Lisboa: Editorial Teorema, 2010.

[2] DOSTOIÉVSKI, Fiodor. “Memórias do Subsolo”. [1864], trad. Boris Schainerdan. São Paulo: Editora 34, 2000.

22

jul
2012

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Cultura
Literatura

By admin

Uma estreia…

“Mira-Olho é um texto escrito de maneira agradável e fluente, com construções eficientes, expressivas e criativas.”

Fiquei muito feliz com as palavras de Lúcia Facco sobre Mira-olho. Para ler a resenha completa clique aqui.

Riso possível

Fotografia: Itaciara Poli

Em pouca água ferve a pressa

que me consome a fogo lento,

queimando o riso possível

de um presente deixado ao relento…

*

Pois deito água na fervura,

arrefeço o passo do tempo

para adensar-me dos dias

de inevitável encantamento.

*

Que viver é fogo de palha,

é breve ardor que trago dentro;

é qualquer coisa que o valha,

a todo vapor, a todo momento.

Booktrailer

Assistam e curtam o Booktrailer de MIRA-OLHO,
meu romance de estreia!

Para saber mais do livro é só acessar o site www.mira-olho.com.


31

mai
2012

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Literatura
Opinião

By admin

Momentum fictício

Há quem acredite que escrever seja apenas o ato de rabiscar sentimentos ou descrever emoções, de modo que se possa adulterar o cotidiano, dando-lhe novos contornos, quem sabe mais poéticos ou passionais. Nesse sentido, procuro ser mais cautelosa… Definitivamente a literatura pra mim é algo mais complicado. Quando escrevo, por exemplo, faço-o a partir do ermo de um instante, de uma fração de tempo muitíssimo pequena e delicada que eu costumo chamar de momentum fictício. Nesse gesto autenticamente solitário, esforço-me por organizar meu pensamento a fim de evitar que aflorem sinceridades tardias, vontades arrependidas ou trivialidades vazias. E sinto-me absolutamente vulnerável, pois, como dizia Clarice Lispector, “tudo me atinge – vejo demais, ouço demais, tudo exige demais de mim”.

Um romance…

A novel by: Itaciara Poli

Finalmente ficou pronta! Aqui vai a capa de MIRA-OLHO, meu primeiro romance pela editora Novo Século!

O livro já está nas máquinas e o lançamento será em junho no Brasil!

 Para conferir a sinopse é só acessar o meu site.