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18

abr
2012

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Cultura

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Máquina do Tempo

 

 

18

abr
2012

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Cover

A banda canadense “Walk off the Earth” é um dos exemplos de como um simples cover é capaz de ultrapassar os limites da imitação.

“Walk off the Earth” – great low-budget music

29

mar
2012

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Millôr

 

28

mar
2012

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Cores Primitivas

Aulas de racismo

A busca pelo reconhecimento da reciprocidade entre raças é tão antiga e persistente quanto dolorosa e, volta e meia, revela-se sem rodeios. No entanto, devo admitir que são raras as vezes em que essa busca assume um vigor respeitável, capaz de purgar a hipocrisia da simpatia.

Prova disso é o documentário “Afrikaner Blood”, das holandesas Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien, que acaba de levar o primeiro prêmio do concurso World Press Photo 2012 na categoria multimídia.

São cenas revoltantes de adolescentes sul-africanos brancos durante um acampamento de verão organizado por um grupo de extrema-direita. O vídeo traz a figura de Franz Jooste, ex-major do Apartheid e líder do grupo, declarando firmemente que o camping de adestramento teria a finalidade de “criar uma nova geração de racistas”.

Pode não parecer e é assustador, mas o racismo sobrevive em segredo, na clandestinidade de um mundo arco-íris idealizado por muitos e praticado por poucos, na medida em que vivemos nessa esquizofrenia sistemática de deturpar a realidade que nos circunda, achando que tudo é rosa ou – ainda pior – colorido…

Sim, porque tanto quanto posso avaliar, mesmo com a revogação do Apartheid  em 1994, não há indicação de que o mundo tenha mudado drasticamente suas ideias em relação à segregação racial e social.

O que eu sei é que a dose de crueldade de certos comportamentos me expulsa da indiferença terapêutica do dia-a-dia; e é por isso que hoje faço questão de expressar minha repugnância categórica às palavras de Franz Jooste:

Não tenho vergonha de dizer que sou racista. Na África do Sul só é possível ser duas coisas: ou cego ou racista“.

Franz Jooste

“Afrikaner Blood” – Multimedia Contest 1st prize (2012)

26

mar
2012

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É o fim do caminho

As águas de março se foram e com elas seus nomes, nas correntezas do inevitável… Pois é! Este mês foi o fim do caminho para três grandes artistas que admiro muito.

É incrível como em alguns momentos torna-se evidente o mundo que se desfaz aos poucos à nossa volta, deixando-nos, como costuma dizer António Pina[1], “do lado de cá de qualquer coisa”, perigosamente desamparados num abrigo aberto pela ausência.

Antonio Tabucchi
(Vecchiano, província de Pisa, 24 de setembro de 1943 – Lisboa, 25 de março de 2012), escritor italiano, professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Siena.

Claro que enquanto a perda é distante e não nos diz respeito intimamente, a dor é leve e, por ser alheia, esvai-se em breve, nas recordações cada vez mais remotas…

Chico Anysio
(Maranguape, 12 de abril de 1931 — Rio de Janeiro, 23 de março de 2012), humorista, ator, dublador, escritor, compositor e pintor brasileiro.

Mesmo assim, é inegável que se cria um hiato desconcertante, talvez imperfeito, quando a metáfora inevitável da morte se apodera ilicitamente do mundo com o qual estávamos habituados, levando consigo a desproporção do fim.

Lucio Dalla
(Bolonha, 4 de março de 1943 — Montreux, 1 de março de 2012), cantor e compositor italiano.

 


[1] ] Manuel António Pina in “Por outras palavras & mais crônicas de jornal”, 2010.

22

mar
2012

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Outras bossas # 2

 Performed by Kaw Regis 

01

mar
2012

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Addio Caruso

Lucio Dalla

Lucio Dalla
(Bolonha, 4 de março de 1943 – Motreux, 1 de março de 2012).


15

fev
2012

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Literatura

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As três palavras mais estranhas

Drawing of the writer Wislawa Szymborska

“Quando pronuncio a palavra Futuro,

a primeira sílaba já pertence ao passado.

 Quando pronuncio a palavra Silêncio,

destruo-o.

 Quando pronuncio a palavra Nada,

crio algo que não cabe em nenhum não-ser.”

 

Wislawa Szymborska




O Absoluto vende bem

Na qualidade de manifestações contingentes, somos seres que, para existirmos, dependemos de condições ainda não estabelecidas no seu todo. Somos destinados, portanto, a ser ou não ser num único instante, porque a qualquer momento podemos deixar de existir.

Essa efêmera condição nos conecta profundamente com a necessidade de imaginar uma bengala que nos ampare, que impeça a nossa queda e sustente a imortalidade da alma, tornando inevitável a busca do que é ab solutus.

Por isso temos a visão desta unidade indissolúvel que existe em si e por si, sem a necessidade de nenhuma outra para existir. Algo como uma prima causa, independente por si, mas que nos mantém completamente dependentes dela.

Neste momento do século XXI sentimos indispensável a idéia do Absoluto, pois como bem explica Umberto Eco[1], parece que o Absoluto vende bem, já que “é a alternativa de qualquer coisa que nós não somos e que está noutro lado, não dependendo de nós”.

Pessoalmente, devo exprimir a convicção de que sou incapaz de saber dizer o que é o Absoluto, uma vez que posso apenas verificar verdades objetivamente alcançáveis, válidas para todos nós. No entanto, acredito que ao sairmos de um estado natural para um estado cultural, nos encontramos num ponto incontornável onde as funções da verdade e da lógica jamais serão absolutas.


[1] Umberto Eco in Costruire il nemico e altri scritti occasionali, RCS Libri S.p.A. – Milão Bompiani, 2011.

03

fev
2012

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Abrigo

…um céu que nos proteje
by Ryuichi Sakamoto

08

jan
2012

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Enamorada

Ainda não li, mas não vejo a hora de ler…

Los enamoramientos” é o último romance do escritor madrileno Javier Marías e acaba de ser eleito  o melhor livro publicado na Espanha no ano de 2011.

Sob a análise apurada de cinquenta e sete críticos e colaboradores do Babelia (suplemento cultural do El País), a novela de aproximadamente quatrocentas páginas superou as expectativas do autor.

Sua obra, porém, ainda pouco conhecida no Brasil, goza de grande prestígio internacional e acumula prêmios importantes.

Aqui, um vídeo no qual ele fala um pouco sobre o processo criativo e suas dúvidas.

15

dez
2011

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Espaço Vazio

Fotografia: Itaciara Poli

Sem querer ou escolher, algumas vezes sou incomodada por questões suspeitas que se apoderam do meu pequeno espaço no mundo – já tão contraditório por si só. São questões que, quando por acaso nelas tropeço, minhas possibilidades cambaleiam como átomos sem rumo…

Hoje, por exemplo, o que me assedia é a iminente descoberta do tal bóson de Higgs. Não se fala em outra coisa e, por esse motivo, somente com elevadas doses de alienação seria possível ficar indiferente ao assunto. Comenta-se em jornais e revistas de todo o planeta que tal achado representaria um divisor de águas para a humanidade, pois viria para desvendar a origem de tudo.

Não quero e, principalmente, não tenho competência para redigir observações técnicas sobre a chamada “Partícula de Deus”, mas hoje, enquanto vagueava nesse espaço vazio, nessa escuridão central da origem do universo, me deparei com uma indagação meramente filosófica: por que temos a eterna pretensão de criar um sistema de totalidade para a condição humana?

Por que não ousamos admitir a vida como algo impreciso ou inexplicável?

Seja através da religião ou da ciência, por que a interpretação para a minha e a sua vida, para a nossa história e para nossas ambições deve depender sempre de uma análise total, perfeitamente completa do início ao fim?

Daí penso que talvez seja porque hoje, mais do que nunca, estamos sedentos por uma explicação absoluta, por uma razão garantida que concilie nossas crenças, nosso conhecimento e nosso bem-estar. Ou pode ser também por que não aceitamos mais ser como nossos antepassados: pobres ignorantes a viver num maravilhoso estado de graça por nada saberem…

Mas e nós, o que sabemos?

Na verdade, se pararmos para pensar no mais importante, veremos que a nossa história tem a duração de um bater de olhos e que, na prática, de um jeito ou de outro, nós é que somos o quantum elementar do universo, pois o centro de tudo está em nós mesmos.

06

dez
2011

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Ainda bem



Com um quê de trilha sonora dos filmes de Almodóvar, “Ainda bem” faz parte do oitavo álbum de Marisa Monte. A cantora contou com a parceria de Arnaldo Antunes e alguns integrantes da Nação Zumbi.

A irreverência fica por conta do clipe que tem a participação do lutador Anderson Silva, atual campeão mundial peso médio do UFC.

 

by Marisa Monte e Arnaldo Antunes

17

out
2011

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Salve-se quem puder

Fotografia: Itaciara Poli

Estou no escuro e começo a ficar inquieta. Há algum tempo, por entre fatos e relatos, venho tateando o progredir sinuoso de pormenores fatais que não param de distribuir desassossego e estimular o pânico entre todos nós.

Tal sensação deve-se ao fato de uma bruma escura, de ares apocalípticos, chamada “Crise Econômica Mundial”, que permanece sobre nossas cabeças e nos envolve num clima de puro medo e incerteza.

No último final de semana, jornais de todo o mundo noticiaram manifestações de uma juventude indignada, asfixiada por seus sonhos corrompidos e em tensão com o futuro, como se fosse uma marcha forçada de quem agora deve pagar por nossa anuência à corrupção, por fazermos vista grossa para a impunidade e por tolerarmos toda essa ambição desmedida.

Nesse labirinto fraudulento, o cenário é negro e o contrapeso invariável. É que, no intuito de preservar sua sobrevivência, os governantes atuam consoante às variações de conveniência e assim, de um momento a outro, podem nos assegurar que tudo está magicamente resolvido, ou pelo menos protelado.

Um descaramento implacável.

Sabemos muito bem que os mecanismos e estratégias até agora adotados, abundantes e tenazes em atenuar a porcaria explícita do sistema financeiro global, não só se demonstraram desastrados, como também serviram para aumentar a dimensão do problema.

A fragilidade do nosso presente demanda atenção e há razões sérias para nos preocuparmos.

É claro que as poucas linhas gerais deste post não fazem jus a importância e densidade do tema, mas esboçam apenas a minha apreensão em relação aos dias de hoje.

Que estranho presente é esse?

O filho de mil homens

O Filho de Mil Homens (2011)

Para começar bem o outono vou presentear minha estante com o novo romance de Valter Hugo Mãe – “O Filho de Mil Homens”.

Depois de causar grande comoção na Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), o escritor lançou o seu quinto romance no dia 24 de setembro, em Lisboa, na companhia de amigos, escritores, jornalistas e de uma magnífica surpresa: a brasilidade de Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, que estavam de passagem por Portugal e não puderam deixar de prestigiar o singular talento de Valter. 

Confira a sinopse aqui.